RS - Greenpeace Porto Alegre em Guaíba/RS para ver os impactos causados pela fábrica de celulose.

 

  Pensa na seguinte cena: Um monstro gigantesco expelindo fumaça e detritos por diversas bocas, atacando pessoas muito assustadas que tentam resistir. É mais ou menos isso. 


  Essa é a realidade vivenciada por moradores da cidade de Guaíba, RS. Uma outrora pacato e arborizado bairro emoldurado pela trágica visão da fábrica que está instalada às margens do Rio Guaíba, que abastece várias cidades da região, inclusive a própria capital do Estado. 

 

  A fábrica chegou destruindo, espantando aves e outros animais. Recentemente, foi autorizado pelo poder público a ampliar sua produção, gerando mais destruição a natureza. 


Terrenos com mais de cem metros de fundo, repletos de árvores, foram transformados em área industrial. Um grande muro foi construído defronte às residências. As aves remanescentes que ali habitavam, desapareceram. 


Na verdade, não houve ampliação do empreendimento fabril, mas ocorreu a construção de uma nova fábrica ao lado da antiga. Neste local há um imenso depósito de serragem a céu aberto. Uma tela instalada ao entorno não é suficiente para impedir que o produto vá a atmosfera e as residências.


  A via pública que separa as duas foi fechada para a população.  Foi privatizada arbitrariamente.  Assim, a cidade foi dividida.  As pessoas que moram no entorno da fábrica foram apartadas do restante da cidade. 


 A cidade não está dividida apenas geograficamente.   Social e politicamente bem também está.   De um lado o empreendimento e de vereadores e outros políticos que apoiam e de outro a população da cidade.

  

E porque os políticos apoiam?  


Por que a fábrica oferece empregos? 


Por que a fábrica paga impostos vultosos?   

 

Não, nada disso.  


  A fábrica oferece empregos mal remunerados, em condições de trabalho e moradia aviltantes, não paga impostos, pois ficou isenta até 2019 e agora ocorreu prorrogação até 2024.  As obras do entorno que seriam responsabilidade do empreendimento na verdade foram feitas pelo poder público.  Asfalto, ciclovia, iluminação, etc....   tudo de dinheiro público.    


  O grupo de voluntários do Greenpeace Porto Alegre, a convite da comunidade foi a Guaíba verificar “in loco” o que está acontecendo.


  Participaram do evento os ativistas Cínthia,  Anderson,  Luciele, Maria Alice e Reginaldo. Os voluntários constataram o elevado grau de poluição,  com  diversas chaminés lançando fumaça incessantemente na atmosfera, com o odor gerado no processo produtivo, serragem que invade o ambiente e se acumula nas residências, com águas certamente contaminadas vazando do pátio da fábrica, circularam pela beira da praia. 


  Um outrora tranquilo balneário de águas límpidas que atraia turistas, hoje um lugar poluído.  Os frequentadores sumiram, os turistas não mais vieram. O hotel fechou. Beira da praia muito suja, água com espuma escorrendo de dentro do empreendimento.


  Segundo os moradores, na água se acumulam os detritos da madeira lançados no ar, de tal forma que se tornou uma base praticamente movediça e elevou o fundo do rio no local, tornando inviável o uso da praia pela população. Na Praia da Alegria, como é conhecida, os voluntários em parceria com as outras ONGs e moradores fizeram um ato público, com exibição de faixas, cartazes e roupas de proteção específicas. 


  O grupo de teatro Comparsaria das Façanhas fez uma performance alusiva ao tema.  Estavam presentes, também, representantes da comunidade, Amigos da Terra,  Associação de Amigos do Meio Ambiente. Foi feita uma reunião de esclarecimentos e debate bastante produtiva.  Foi exposto todo o histórico do empreendimento e ficou claro que, contrariamente ao que diz o empreendedor,  a população lá se encontrava bem antes da fábrica. 

 

  Pessoas relataram problemas de saúde, físicos, como relativos às vias respiratórias e olhos e fortes dores de cabeça, e psicológicos, como ansiedade e depressão. 


 As pessoas dormem mal, em função do barulho excessivo à noite, quando a produção aumenta, dos odores emanados e à excessiva iluminação. Depois da discussão, os presentes  foram para a frente da fábrica com faixas e cartazes, fazendo registros fotográficos. Ao deixarem a cidade,  os voluntários passaram novamente pelo pórtico com a inscrição Balneário  Alegria.


Não mais balneário, não mais alegria.


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Texto: Reginaldo Porto Alegre

Fotos: Reginaldo Porto Alegre, Anderson Centeno e moradores.