Todo dia é Dia do Meio Ambiente

*Por Asensio Rodriguez, Diretor Executivo do Greenpeace Brasil

O Dia do Meio Ambiente é sempre um bom momento para refletirmos sobre o que estamos fazendo com a natureza, que afinal permite a vida da humanidade nesse planeta. Este ano, a reflexão é ainda mais importante, porque em poucos meses a população decidirá sobre as pessoas que conduzirão o futuro político do Brasil.

Ao mesmo tempo, quando pensamos em todas as ameaças que o meio ambiente tem sofrido, especialmente nos últimos anos, fica claro que não temos tempo a perder. Não podemos abrir a guarda um minuto que seja para que os inimigos da natureza atuem.

Basta lembrar como a maquinação entre os interesses da Bancada Ruralista e de um governo fraco e impopular ameaçam fazer o Brasil andar para trás 20 anos em dois, no que se refere à proteção ao meio ambiente. São interesses poderosos em jogo, que na maioria das vezes atuam nas sombras, em meio a conchavos e acordos poucos transparentes, completamente à margem dos interesses reais da sociedade.

Mas a boa notícia é que indivíduos, organizações da sociedade civil, como o Greenpeace, e outros atores, como celebridades e influenciadores, atuando de forma ativa, estão conseguindo fazer frente, e muitas vezes paralisando, os avanços dos interesses poderosos contra a natureza. Juntos temos conseguido vitórias importantes, apesar do contexto extremamente desfavorável.

Por isso, neste Dia do Meio Ambiente, além de seguir apontando todas as ameaças que existem, acredito que é também importante celebrar o poder das pessoas.

Mobilização em Ipanema, no Rio de Janeiro, pela preservação da floresta Amazônica e contra os retrocessos ambientais do governo Temer. Foto: Júlia Mente/Greenpeace

Lembremos, ainda no ano passado, da luta conjunta contra a extinção da Reserva Nacional de Cobres e Associados (RENCA), que uniu milhares de pessoas e centenas de organizações em todo Brasil no #TodosPelaAmazônia. O governo foi obrigado a recuar da sua proposta e isso se deveu justamente à capacidade de organização da sociedade.

Mais recentemente, a bancada ruralista vem tentando enfiar goela abaixo da sociedade seu "Pacote do Veneno", que flexibiliza as regras sobre agrotóxicos, incluindo a cara de pau de tentar transformar "agrotóxico" em "defensivo agrícola", como se a simples mudança de nome alterasse o efeito sobre a saúde. Mas, novamente, a sociedade organizada tem confrontado este absurdo. Ao ponto em que os congressistas defensores desta flexibilização não conseguirem até o momento botar essa pauta em votação. E, se depender de todos nós, não conseguirão.

Voluntários de várias cidades do Brasil fizeram atividades no dia 28 de janeiro, com quebra-cabeças gigantes para chamar atenção à ameaça que os corais sofrem da indústria do petróleo. Foto: Kamila Oliveira/Greenpeace

Um último exemplo do poder da ação direta e decidida da sociedade são os mais de 2 milhões de pessoas que se juntaram à campanha liderada pelo Greenpeace em defesa dos corais da Amazônia. Ali, também, os interesses corporativos trazem uma grande ameaça ao ecossistema de corais existente na foz do rio Amazonas e que são ainda relativamente pouco conhecidos pela ciência. Uma mobilização gigante e permanente, não apenas no Brasil, mas também em outros países, tem conseguido impedir que a empresa francesa Total e a inglesa BP sigam com seus planos de explorar petróleo na região.

Tudo isso para mostrar que na verdade o Dia do Meio Ambiente é todo dia. Temos de estar sempre vigilantes, conscientes e prontos para atuar contra os interesses que querem destruir a natureza e a vida.

Eles nunca descansam.

Nós também não.